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  • Foto do escritorTravessias da Infância

IV ENCONTRO NACIONAL DA REDE-BEBÊ de 19 a 21 de maio de 2023: O CUIDADO COM A 1ª INFÂNCIA

ENTRE AS VULNERABILIDADES E AS ESTRUTURAS NÃO DECIDIDAS


Não chegamos ao mundo estruturados nem orgânica nem psiquicamente pois, se bem cada bebê nasça com características orgânicas de base (genéticas e neuro-funcionais), as experiências de vida são decisivas para quem um bebê irá se tornar. Por isso, é imprescindível sustentar desde as políticas públicas e práxis de saúde, educação e assistência, experiências estruturantes na primeira infância.

Em um momento pós-pandêmico, de aumento da exclusão econômica e da virtualização das relações, no qual tantos bebês, pequenas crianças e seus familiares, foram privados de um marco favorável ao desenvolvimento, é crucial fazermos objeção à psicopatologização generalizada que tem se precipitado sobre a mais tenra infância, bem como ao submetimento da primeira infância a tecnicismos performáticos que cerceiam comportamentos, em lugar de estruturar sujeitos que possam vir a decidir as significações de seu viver.

Neste IV Encontro da REDE-BEBÊ trabalharemos a inscrição social de um acompanhamento do desenvolvimento atrelado à estruturação psíquica; uma terapêutica em estimulação precoce e um cuidado em educação e assistência que conhece e toma como paradigma a importância do brincar para a estruturação; a sustentação de hábitos de vida diária atrelados ao prazer compartilhado com os outros e ao valor simbólico cultural, dando suporte ao exercício das funções materna e paterna ao também cuidar de quem cuida do bebê.

Em 2023 a REDE-BEBÊ completa 5 anos de trabalho conjunto dedicado à especificidade da primeira infância. Desde sua fundação, em abril de 2018, a REDE-BEBÊ é integrada por profissionais das áreas da saúde, educação e assistência, pertencentes a diferentes territórios e inserções institucionais, possibilitando a ampliação de conhecimentos imprescindíveis para a intervenção com a primeira infância (quanto à linguagem, psicomotricidade, aprendizagem e hábitos de vida diária) de modo articulado inter e transdisciplinarmente às contribuições da psicanálise ao campo da estimulação precoce e problemas do desenvolvimento infantil.

Convidamos a partilhar dessa interlocução com testemunhos de experiências de profissionais e de pais tecendo redes em prol de cuidados estruturantes com a primeira infância.


Venha participar!

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1º DIA – 19 DE MAIO:

Demos início ao IV encontro nacional da REDE-BEBÊ em um trabalho coletivo junto a 300 colegas da Saúde, da Educação e da Assistência que, desde diferentes territórios, sustentam o lugar e o tempo para que um bebê tenha a chance de advir como sujeito de seu desejo. Em uma época na qual, cada vez mais cedo na vida, se precipitam psicodiagnósticos tomados como um saber absoluto que impedem bebês e seus pais de decidir a significância de seu viver, é crucial considerarmos que as estruturas não estão decididas na infância e que este é um tempo de sustentarmos intervenções que favoreçam a estruturação - como situou Alfredo Jerusalinsky em conferência.

Zulema Garcia Yañez nos trouxe a história da REDE-BEBÊ, que se apoia em mais de 50 anos de experiência teórico clínica com a 1ª infância; Silvia Karla revela a importância de uma Rede SUS fortalecida e atuante nos 4 níveis de prevenção que articulem o acompanhamento do desenvolvimento à saúde mental de bebês; Maribel de Sales de Mello e Letícia Brunhani Lucas trouxeram a importância do acompanhamento de gestantes de risco, não só nos aspectos orgânicos, mas, também, em uma escuta de grupos que permita elaborar sofrimentos, cuidando de quem cuida do bebê. Essa foi a 1ª RODA de conversa coordenada por Gorethe Miranda.


Seguimos no IV ENCONTRO NACIONAL DA REDE-BEBÊ!


2º DIA – 20 DE MAIO:

A filiação, para além do processo formal de adoção, precisa ser sustentada como operação estruturante do sujeito. Ela implica um cuidadoso trabalho de tecitura do laço simbólico entre o infante e quem encarnará para ele as funções materna e paterna (central na estimulação precoce). Desde o judiciário e intervenção da vara da Infância, Marta Gondo nos traz a importância de uma lei que proteja e que não se exerça como um re-traumatismo para poder fazer nascer uma família.

Vivian Nolasco e colegas da Rede de assistência de Carazinho-RS revelam a importância de um trabalho que vai muito além de atender necessidades de bebês e crianças privados, mirando em cultivar a condição desejante e brincante. Para isso é preciso cultivar a formação de profissionais, tantas vezes desvalorizados em seu fazer com os bebês, revelando a grandiosidade de cada pequeno ato de cuidado cotidiano no qual se operam inscrições estruturantes. Rafael Gomes nos traz a importância de escutar os pais ao tratar de crianças adotivas sem intervenções moralizantes para que possa se produzir um atravessamento das dificuldades encontradas neste laço. Estas foram algumas das reflexões da RODA DE CONVERSA 2 DO IV ENCONTRO NACIONAL DA REDE-BEBÊ, coordenada por Denise Serafim.

E seguimos!


3º DIA – 21 DE MAIO:

Diagnóstico não é destino! Brincar e filiação na 1ª infância - foi tema neste domingo da 4ª Roda do IV Encontro Nacional da Rede Bebê. Contamos com os depoimentos de pais que tiveram seus filhos atendidos por profissionais de referencial psicanalítico. Em mesa coordena por Marcella Haick Mallard que situou “a importância de dar voz, de forma ética e respeitosa a quem tem um lugar central nos primeiros passos da estruturação”, os pais fizeram testemunhos emocionantes de como foi possível abrir lugar para o devir de cada criança diante de diagnósticos tantas vezes comunicados como fechados e definitivos que operam como um golpe no qual é preciso reconstruir a possibilidade de um futuro. Na sequência, Jerusalinsky situou como, em tempos de pandemias de psicodiagnósticos, saber sobre a infância não é simplesmente fechar diagnósticos, mas acima de tudo, conhecer muito bem e sustentar os passos lógicos que possibilitam a estruturação de um bebê e de uma pequena criança como sujeito do seu desejo, reconhecendo não apenas as dificuldades mas a potência do que pode se estender a partir do que lhe interessa.

Escutar a fala e as questões dos pais, bem como abrir lugar para o brincar da criança é decisivo para a extensão de laços e de interesses desde os quais a criança possa fazer parte desejosamente do mundo apropriada de ideais e não simplesmente adaptada. É preciso termos muito cuidado com instrumentos de detecção que olham para a infância desde a lente da patologia, produzindo uma lógica indutiva que encontra o que busca ao recortar o comportamento da criança em pequenos fragmentos descontextualizados. Em lugar disso é preciso reconhecer o que não vai bem quando um bebê está em sofrimento, intervindo para favorecer a estruturação.

É preciso, também, termos clareza da complexidade do que se entende como ciência, pois esta não pode ser reduzida a padronizações de procedimentos em que se repetem experimentos quantificados em dados estatísticos. Também há um conhecimento que opera pela elaboração de experiências em que cada família possa reconstruir a sua história e para que cada criança tenha chance de produzir o seu saber decidindo as significâncias do seu viver!


A Assembleia da REDE-BEBÊ , com 150 profissionais de diferentes territórios, recolhendo as ações realizadas nos últimos 2 anos, desde o último encontro, e as futuras ações conjuntas. Entre as participações na assembleia, esteve a colega da FEPI – Fundación para el Estudio de los Problemas de la Infancia/ Centro Lydia Coriat de Buenos Aires, dando início ao Núcleo REDE-BEBÊ Argentina.




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